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Mitos sobre a Hiperatividade e Déficit de Atenção

Psicologia

16

jul 2019

Considera-se distraído, desorganizado, inquieto e facilmente se vê a procrastinar? Estas características parecem comuns a todos nos dias de hoje. No entanto, quando interferem em diversas áreas da vida, como nos relacionamentos ou no trabalho, podem sinalizar a Hiperatividade e Déficit de Atenção (TDAH).

Nos adultos, os sintomas de (TDAH) são mais difíceis de definir do que aqueles que encontramos em crianças e adolescentes. Assim, o que se pode inferir é que um adulto com este diagnóstico também o teve na sua infância e adolescência. Por outras palavras, este problema manifesta-se sempre precocemente e, caso não seja devidamente tratado, pode progredir agravando-se até à idade adulta.

Neste sentido, partilho alguns dos mitos associados a essa situação.

Mito 1: Só as crianças podem ter TDAH

Embora tenha de existir sintomatologia durante a infância, de forma a reunir critérios para o diagnóstico, muitas pessoas permanecem sem diagnóstico até à idade adulta. Muitas vezes, os comportamentos hiperativos diminuem com a idade, mas os sintomas de inquietação, distração e desatenção persistem. A TDAH no adulto, quando não tratado, pode criar dificuldades crónicas com o trabalho e nos relacionamentos, o que pode resultar em problemas secundários, como ansiedade, depressão e abuso de substâncias.

Mito 2: Tem de ser hiperativo para ter TDAH

É natural existir alguma confusão com este mito, já que o próprio nome da condição em si é Perturbação da Hiperatividade e do Déficit de Atenção. Na verdade, existem três tipos diferentes de TDAH: o predominantemente hiperativo-impulsivo, predominantemente desatento e o misto.

O predominantemente desatento não inclui sintomas de hiperatividade. Uma pessoa com sintomas de desatenção pode ser vista como alguém facilmente distraída, desorganizada, esquecida ou descuidada. O tipo predominantemente desatento é muito menos perturbador para os que rodeiam a pessoa. Por isso, muitas vezes é esquecido, mas não é menos estressante para a própria pessoa. Também é importante ressaltar que adultos com TDAH podem perder alguns dos comportamentos hiperativos presentes na infância e a hiperatividade é substituída por uma sensação de inquietação.

Mito 3: Se consegue concentrar-se em algumas atividades, não tem TDAH

Pode ser bastante confuso ver alguém com TDAH concentrar-se intensamente numa atividade quando a TDAH parece ser um “déficit de atenção”. Na verdade, estas pessoas conseguem concentrar-se em atividades que lhes interessa e que as envolvam. Esta tendência de serem absorvidas em tarefas que são estimulantes e recompensadoras é chamada de hiperfoco.

Mito 4: A medicação pode curar a TDAH

A medicação não cura, mas pode ajudar a controlar os sintomas. No entanto, e apesar de as recomendações internacionais referirem a medicação como primeira linha de tratamento, devido aos efeitos secundários ou à resposta insatisfatória dos medicamentos, a intervenção psicológica assume um papel muito relevante, ao contrário da medicação.

Autora – Psicóloga Sônia Anjos


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