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Baixa autoestima saiba como identificar

Psicologia

08

out 2018

Valorizar alguém que amamos é um exercício que não costuma ser muito complicado. Geralmente a convivência e a observação contribuem para que qualidades se destaquem e formemos uma opinião positiva sobre a pessoa.

Mas e quando esse alguém é você mesmo? O que você percebe? Consegue reconhecer e enaltecer suas próprias qualidades com a mesma precisão com que percebe seus pontos de melhoria? Enquanto você lê essa matéria tente olhar para dentro de si e se lembrar da última vez que conseguiu comemorar uma conquista. Ou quando sentiu que sua atitude diante de uma situação lhe deu orgulho, não por ter sido melhor do que outra pessoa, mas por ter sido coerente com o que acredita. E até mesmo quando em um momento em que as coisas não saíram como o planejado você soube se acolher e reconhecer que fez o que estava ao seu alcance.

Se após fazer essa breve reflexão você percebeu que há descompasso entre os pontos que gosta em si e a lista de defeitos, pode ser um sinal de baixa autoestima. De acordo com a psicóloga e orientadora transpessoal Wanessa Moreira, a autoestima é o valor que damos a nós mesmos. “É a sensação de reconhecimento que cada um desenvolve por si. Ter autoestima é conseguir se enxergar com respeito e encontrar o próprio valor, ainda que existam aspectos que precisem ser melhorados ou desconstruídos”.

Ela ressalta que ter estima consigo tem importância fundamental na maneira como uma pessoa vai se colocar na própria vida. “Uma pessoa com baixa autoestima deixa de ocupar o seu melhor lugar, pois se percebe como menos, as situações não lhe agradam e ela vê seu desempenho como insuficiente, mesmo que tenha conseguido bons resultados” explica a especialista.

Uma baixa autoestima é um equívoco de autopercepção, como se o indivíduo se visse a partir de um óculos embaçado. No entanto, de acordo com Wanessa, ver a si mesmo de forma limitada não é o único sintoma que pode indicar uma baixa autoestima. A seguir você encontra diferentes comportamentos não-óbvios que podem mascarar esse sentimento.

Pensar demais antes de agir

Ter precaução e medir riscos e consequências é uma hábito importante, pois ajuda a ser mais prudente. No entanto, de acordo com Wanessa, em momentos de baixa autoestima é comum que pensamentos sabotadores apareçam, desencorajando assim uma tomada de decisão, ou a realização de um hábito simples. Será que você pode estar fazendo isso com você?

Sensação constante de culpa

Segundo Wanessa, ter a percepção de que não consegue realizar os próprios projetos traz uma sensação de culpa. Se você sente que seu nível de exigência consigo está muito alto pode ser um indício de baixa autoestima. Ter ambição para realizar sonhos é saudável, se autodepreciar e não se acolher quando as coisas não saem como planejado só gera insegurança e não indica um próximo passo.

Autocrítica excessiva

A autocrítica também é um aspecto presente quando se está com baixa autoestima. É como se houvesse uma necessidade constante de afirmar os próprios defeitos. “O problema, explica Wanessa, é que nesse contexto a autocrítica serve apenas para confirmar que a pessoa está se vendo como menos. Não dá um caminho ou uma solução”, esclarece.

Se preocupar demais com a opinião dos outros

Levar em consideração o que os outros pensam é um atributo importante para a socialização e para criar conexão. Mas submeter a opinião que se tem de si aos outros cria dependência afetiva e demonstra falta de autoconhecimento e autoestima. De acordo com Wanessa, nosso valor não está atrelado a uma outra pessoa. Nosso valor vem do reconhecimento de que somos uma manifestação de vida. É desse lugar que deve nascer nossa autoestima.

Reclamar demais da vida

A baixa autoestima atua como uma lente embaçada em nossa percepção. Desta forma, não apenas nosso autoconceito fica equivocado, mas também a forma como interpretamos as situações à nossa volta. Wanessa pontua que uma pessoa com baixa autoestima enxerga tudo sob um viés negativo, tendo dificuldade, inclusive, em reconhecer situações que possam ser favoráveis para ela.

Se comparar a outras pessoas

Um dos fatores que mais se manifesta em pessoas com baixa autoestima é a comparação. Como se no outro houvesse todas as qualidades que faltam em nós. Muitas vezes praticamos esse hábito sem perceber, mas eles podem indicar que não estamos muito bem conosco. O momento que cada um vive agora é consequência de uma trajetória, de vitórias, derrotas, aprendizados. É orgânico, constante e em desenvolvimento. É possível, cada um à sua maneira, honrar e transformar a própria história.

Tentar agradar a todos

Procurar fazer o bem a quem está ao redor é uma forma saudável de interagir e estabelecer relações positivas. Porém, em um quadro de baixa autoestima, é possível que o crivo que regula o bom relacionamento com os semelhantes fique desregulado, juntamente com uma necessidade incalculada de agradar. Isso acontece porque diante de uma baixa autoestima sentimos a necessidade de aprovação do outro a todo momento, como se essa aprovação fosse fundamental para validarmos a nós mesmos. O equívoco nessa prática está em terceirizar essa legitimação para o outro, pois pode ser que esse reconhecimento não venha. Além disso, não é justo com você mesmo esperar que um outro alguém mensure o valor que você tem. Afinal, nossos amigos, companheiros afetivos, parentes e pessoas que interagimos diariamente não estão na nossa pele, não viveram as experiências sob a mesma ótica que nós.

Negligenciar as próprias necessidades

Quando se olha demais para as necessidades de outras pessoas, em algum grau, é possível que as próprias demandas fiquem em segundo lugar. Esse tipo de prática tem a ver com o mecanismo de tentar agradar o outro como forma de obter um possível reconhecimento que valide a própria autoestima. Ignorar as próprias necessidades mostra que o indivíduo não considera a própria importância diante da vida, como se não houvesse valor em atender o que precisa. Trabalhar além do horário regulamentar, ter dificuldade em dizer não, abrir concessões a todo momento, não se colocar nas relações e não dizer o que pensa são algumas formas de negligenciar as próprias necessidades.

Criticar demais os outros

Assim como o excesso de autocrítica, apontar demais os erros dos outros também pode ser um sinal de baixa autoestima. Isso porque de acordo com Wanessa, muitas vezes quando a pessoa está com a autoestima baixa também não consegue reconhecer qualidades nas outras pessoas, pois seu olhar está condicionado a enxergar as coisas como se fossem menos, tanto em si quanto nos outros. Além disso, em muitos casos, a sensação de criticar os outros pode proporcionar um alívio emocional. Porém, é importante ressaltar que fazer críticas demasiadamente e sem cuidado pode prejudicar o relacionamento social e também não resolve as questões de baixa autoestima.

Medo excessivo de cometer erros

É comum procurar realizar as atividades corretamente, mas as situações não estão sob o nosso controle e eventualmente os erros acontecem. Uma pessoa que está se sentindo bem consigo age de forma espontânea e, caso as coisas não saiam como o esperado, lida com a situação de forma resiliente. No entanto, em um quadro de baixa autoestima é comum manifestar uma necessidade de controle para que tudo saia como esperado, como forma de evitar uma posível frustração.

Por que ficamos com baixa autoestima?

Existem muitos fatores que podem abalar a autoestima de uma pessoa, como eventos traumáticos, rotina estressante, não conseguir alcançar os objetivos, mudanças bruscas na vida ou perda de um ente querido. Apesar de existirem várias possibilidades, existe um ponto em comum entre elas: são fatores externos, em outras palavras, coisas pelas quais nós não temos total comando.

“Na vida aprendemos a colocar nossa autoestima em coisas mutáveis, ou seja, que não estão sob o nosso controle. Esse tipo de aprendizado pode até trazer satisfação em um primeiro momento, mas não se sustenta, pois, além de serem fatores que vem de fora, com o passar do tempo eles também perdem o prazo de validade”, explica Wanessa Moreira.

Além disso, somos levados a acreditar que ter uma autoestima elevada é um sinônimo de ter sucesso em tudo que se faz, como se fosse possível ser um campeão em tudo. Verdade seja dita: ninguém consegue subir e se sustentar em todos os pódios. Justamente porque a vida é mutável, orgânica e imprevisível. Isso faz com que ela seja instigante e assustadora ao mesmo tempo.

Ter consciência de que vivemos em um mundo no qual nem todas as oportunidades são fáceis de serem alcançadas e sustentadas ajuda a mostrar que se colocarmos o amor que temos por nós mesmos nesses fatores vamos viver oscilando e estaremos condicionados à aprovação dos outros para legitimarmos nossa própria aprovação.

Wanessa explica que para criarmos autoestima, precisamos nos conhecer intimamente, aceitar e acolher nossas virtudes e defeitos, para assim sabermos que eles são apenas aspectos do que somos e não representam nossa totalidade.

Como aumentar a autoestima?

Imagine uma pessoa que você gosta bastante. Pode ser um amigo, parente, um parceiro afetivo. No momento em que você conheceu essa pessoa gostou logo de cara, na mesma profundidade que gosta hoje? Provavelmente não.

Primeiro vocês foram apresentados, descobriram as coincidências entre vocês e foram se conectando aos poucos até desenvolverem um vínculo afetivo. Esse enredo pode exemplificar uma relação social, mas também pode ser uma forma de nos relacionarmos conosco. De acordo com Wanessa, um dos principais motivos pelos quais as pessoas não têm autoestima é por não se conhecerem verdadeiramente.

A seguir dicas de como se conhecer melhor e aumentar a autoestima:

Olhe para dentro de você

Se você acha que está com baixa autoestima, é importante olhar para dentro de si. Ver como estão os seus sentimentos, sua percepção sobre si e sobre o mundo. De acordo com Wanessa, entrar em contato com esse sentimentos possibilita que se saia do automático. Parece um hábito comum, mas que muitas vezes deixamos passar. Esse é o primeiro passo para se conhecer melhor.

Busque sua força interior

Essa dinâmica ajuda a entrar em contato com as potencialidades que cada um carrega dentro de si. Muitas vezes, os acontecimentos e a rotina fazem com que a gente se esqueça da nossa força interior – no entanto, ela continua lá. Basta que a conexão com ela seja restabelecida. Caso não consiga, é importante refletir: em qual momento essa força foi perdida? Qual situação ofuscou o nosso brilho interno?

Tenha autocompaixão

Um elemento de grande importância para desenvolver autoestima é a autocompaixão. Wanessa explica que ter compaixão consigo possibilita que o indivíduo se acolha em momentos de tristeza, aceite ajuda e seja capaz de se reerguer quando necessário. Uma pessoa que tem autocompaixão sabe que seu valor existe apesar dos defeitos.

Abra espaço para pequenas mudanças

A autoestima é uma estrutura que precisa ser construída, portanto, é importante ter em mente que as transformações podem acontecer aos poucos. “As pessoas buscam grandes mudanças, mas é a partir do pequeno que as coisas acontecem. Olhar para dentro de si, encontrar um aspecto positivo e valorizá-lo já é um começo”, explica Wanessa. Você também pode identificar uma característica em si mesmo que seja um motivo de orgulho e enaltecer esse valor. “Isso por si já é é uma mudança muito significativa”, completa.

Não tenha medo de pedir ajuda

Uma baixa autoestima tem a ver com a forma como uma pessoa enxerga a si mesmo. Tem muito mais a ver com percepção do que com a ideia de sucesso e conquistas. Mas às vezes enxergar isso somente com as próprias referências pode ser difícil. Se você estiver com dificuldade em enxergar suas qualidades, procure ajuda de um profissional. De acordo com Wanessa, profissionais que trabalham saúde mental podem trazer novas maneiras de pensar, que podem ser mais difíceis de serem alcançadas sozinho.

Lembre-se que procurar auxílio não é sinal de fraqueza, pelo contrário, mostra que você está construindo a sua saúde com todas as ferramentas disponíveis. E não existe nada mais precioso no mundo do que nós mesmos – afinal, como vamos nos relacionar ou cuidar daqueles que amamos se não estivermos bem com nós mesmos?

Escrito por Cinthya Dávila – Redação Minha Vida

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